
05/08/09
Na última segunda-feira, 3 de agosto, o Presidente Lula falou no programa de rádio semanal, café com o presidente, sobre o reajuste do bolsa familia e o que isso representa para a camada mais pobre da população.
Na última segunda-feira, o Presidente Lula falou no programa de rádio semanal, café com o presidente, sobre o reajuste do bolsa familia e o que isso representa para a camada mais pobre da população. Confira os principais trechos da entrevista:
Apresentadora: Presidente, mais de 11 milhões de famílias recebem o Programa Bolsa-Família. E, na semana passada, eles tiveram uma boa notícia: os valores do benefício serão reajustados. Porque esse reajuste agora?
Presidente: Olha, Anelise, eu penso que o reajuste é apenas uma atitude de fazer justiça com a parte mais carente da população brasileira. Todas as categorias profissionais tiveram reajuste esse ano, em todo o Brasil, e é justo que a gente dê um reajuste razoável para os que recebem o Bolsa-Família, porque isso vai ajudar no aumento de poder de compra deles e vai facilitar com que eles tenham acesso a mais alimentos, a mais coisas que eles possam comprar para os seus filhos. Foi uma atitude correta da equipe econômica do governo. Foi uma atitude correta do ministro Patrus (Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome). E quando eles se colocaram de acordo e levaram a proposta para mim, eu não tive dúvida de fazer a lei garantindo os 10%. Quanto mais o povo puder comprar, mais certeza nós temos de que a economia brasileira vai continuar crescendo.
Apresentadora: Além de ajudar muitas famílias com o dinheiro, o programa Bolsa-Família procura levar a essas pessoas o benefício de outras áreas também, como a capacitação profissional. O senhor, inclusive, foi a uma formatura do Planseq, o Plano Setorial de Qualificação para Beneficiários do Bolsa-Família, na semana passada, não foi?
Presidente: Olha, eu fui a Belo Horizonte e fiquei emocionado, porque foram 457 pessoas que se formaram num convênio que o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome fez com os empresários da construção civil, e essas pessoas estão aprendendo profissões de eletricista, de pedreiro, azulejista, ou seja, encanador. E eu fiquei muito feliz, porque eu entreguei o diploma para algumas mulheres e duas tiveram a carteira profissional assinada. O que foi importante é que uma mulher, que recebia apenas o Bolsa-Família, agora ela vai ganhar R$ 616 por mês, como meio oficial ainda, porque ela vai ficar uns seis, sete meses trabalhando de meio oficial, até ela se tornar oficial. Significa que ela pode ganhar mais do que os R$ 616. Essa é a melhor forma para a gente ir tirando as pessoas do Bolsa-Família, ou seja, você vai formando profissionalmente as pessoas, a economia vai crescendo, mais gente vai precisar de empregados e empregadas. Nós temos que, então, qualificar as pessoas, ou seja, e todo curso de formação faz com que nós, brasileiros, possamos dar um salto de qualidade na nossa vida. É muito, é muito impressionante você ver uma mulher feliz. A alegria é uma coisa quase que contagiante, ou seja, ela saber que ela vai sair da condição de dependente do Bolsa-Família para ganhar um salário mais digno e viver às custas do trabalho dela. As duas mulheres, que tiveram a carteira profissional assinada, eram duas mães solteiras. Duas mulheres que tinham dois filhos as duas, cada uma, dois. E elas que cuidavam da família. Agora, com o salário, vai ser muito melhor para elas. Eu acho que isso é uma conquista do povo brasileiro e, sobretudo, uma conquista da parte mais carente da sociedade brasileira, que está, aos poucos, conquistando a sua cidadania. Eu espero que mais empresários tenham essa disposição de ajudar na formação profissional, para que a gente tenha uma mão-de-obra cada vez mais qualificada.
Apresentadora: Você está ouvindo o Café com o Presidente, o programa de rádio do Presidente Lula. Presidente, ainda falando em qualificação profissional, mas mudando um pouco o tema do nosso programa; na semana passada, o senhor inaugurou mais uma escola técnica. O investimento do governo na educação tecnológica se mostra fundamental para a evolução dos nossos jovens, não é?
Presidente: Olhe, formar o nosso jovem é uma obrigação do governo. Lamentavelmente, no passado, alguns governantes não se preocuparam com a formação da nossa juventude. Eu fui inaugurar o Instituto Tecnológico em Campina Grande, que é uma escola extraordinária. Eu vi a alegria das meninas e dos meninos que estavam lá. Aliás, teve uma menina que me emocionou, porque ela tem 17 anos e ela foi abandonada pelo pai, foi abandonada pela mãe, foi morar com uma tia, depois foi abandonada pela tia. E ela tava quase no fio da navalha para cair na perdição, e essa menina viu uma propaganda, ela foi na escola, se inscreveu, ganhou uma bolsa de R$ 180 e hoje ela e a irmã, sabe, trabalham na escola, estudam na escola e vivem com essa bolsa. Estão quase se formando. Então, a alegria de uma jovem dessa, que teve uma oportunidade e agarrou com as duas mãos, é o que nós estamos fazendo no Brasil inteiro. Por isso que, até o final do meu governo, nós vamos inaugurar 214 escolas técnicas. Esta semana mesmo, eu tenho que inaugurar três no Maranhão. Vou inaugurar mais duas no Piauí. E daqui para frente todo mês terão muitas escolas técnicas para serem inauguradas. Nós estamos garantindo que a nossa juventude tenha uma profissão, que a nossa juventude seja altamente qualificada, porque é isso que vai fazer com que o Brasil seja mais competitivo. É isso que vai fazer com que a gente comece a exportar produtos com valor agregado, por causa do conhecimento que está aumentando na nossa juventude. Esse é um investimento extraordinário. Eu acho que a chave do sucesso desse programa foi a gente dizer que no governo ninguém falava mais em gasto, quando falavam de educação. Educação é investimento e é um investimento que traz um retorno mais rápido. E por isso nós vamos continuar investindo na educação.
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